Resumo
Um artigo recente chamou-me a atenção: Jornalismo e interesse nacional
Fala sobre a edição dessa semana do semanário “Expresso” (Portugal), de 25 de Junho de 2011.
Alerta para alterações recentes no Estatuto Editorial do Expresso.
O texto do Estatuto é controverso e gera muita polémica, em jornais, blogues e redes sociais.
Reparo contudo num outro… “problema”.
Há vários comentários online a afirmar que não houve alterações no Estatuto, e que este está em vigor há vários anos…
Objectivo
Encontrar online uma versão “antiga” do Estatuto Editorial do “Expresso”.
Comparar os textos e verificar se houve, de facto, alterações recentes.
Instruções
1. Abrir a página actual
Para começar a análise, abro a página em causa:
Estatuto Editorial do Expresso
http://aeiou.expresso.pt/estatuto-editorial=s24792
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Agora, o problema principal: como “viajar no tempo” para ver como era esta página do site do Expresso há algum tempo atrás??? É simples! 🙂
Há três grandes serviços online que “arquivam” páginas da Internet.
Assim, servem de “máquina do tempo” para visualizar os sites em datas antigas:
- Google Cache
- Wayback Machine, do Internet Archive
- Arquivo da Web Portuguesa, da FCCN (Portugal)
Atenção!
Nunca há garantias que se consiga encontrar uma “versão antiga” da página pretendida…
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2. Procurar no Google Cache
O Google Cache habitualmente guarda só uma versão recente (de uns dias antes) de uma determinada página web.
Para procurar a página, basta acrescentar cache: antes do URL da página a procurar.
Ou seja, procuramos no Google, e obtemos a página abaixo:
cache:http://aeiou.expresso.pt/estatuto-editorial=s24792
..
Tal como era de prever, a página arquivada é demasiado recente para o nosso objectivo.
A pagina foi arquivada a 19 de Junho de 2011 e queremos comparar com a página publicada a 25 de Junho de 20011.
Vamos tentar encontrar uma versão mais antiga para não haver dúvidas 🙂
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3. Procurar no Wayback Machine
Entramos no site Wayback Machine: waybackmachine.org
Introduzimos o URL da página do Expresso, e clicamos em “Show All”.

Assim conseguimos ver todas as versões arquivadas da página com esse URL. Mas não temos sorte…
Tal como é frequente com muitos sites portugueses, não há páginas arquivadas 😦

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4. Procurar no Arquivo da Web Portuguesa
Até agora só encontrámos uma página demasiado recente, de 19 de Junho 2011, via Google Cache. E no Wayback Machine não há páginas arquivadas…
Resta-nos uma última hipótese.
Chama-se Arquivo da Web Portuguesa e é um serviço específico disponibilizado pela FCCN para arquivar conteúdos nacionais.
Tal como nos anteriores, não há qualquer garantia de encontrarmos a página pretendida… Mas vamos tentar! 🙂
Entramos no Arquivo: arquivo.pt
Inserimos o URL e clicamos em “Pesquisar”:
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Hummm, parece que continuamos com azar:
Não foram encontrados resultados para a pesquisa:
http://aeiou.expresso.pt/estatuto-editorial=s24792
Mas como o site do Expresso tem muita visibilidade, vamos tentar outra técnica:
- vamos tentar encontrar uma versão antiga da página de entrada do site do Expresso
- depois tentamos entrar na página do Estatuto Editorial
- se tivermos sorte, pode ser que essa página também esteja arquivada…
Repetimos a pesquisa, mas agora procuramos só com o URL da página de entrada no site do Expresso:
Tal como previsto, há algumas páginas arquivadas do Expresso, em 2007 e 2008!
Clico numa das últimas datas: 8 de Fevereiro de 2008.
Serve perfeitamente para o nosso objectivo: analisar o Estatuto Editorial do Expresso como era há 3 anos atrás!
No final da página, clico na secção “Estatuto Editorial”.
Bingo!
Encontramos finalmente uma versão antiga da página do Estatuto Editorial do Expresso: de 8 de Fevereiro de 2008!
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5. Comparar o texto actual com o antigo
Agora resta comparar os dois textos:
- o texto actual, recolhido do site do Expresso, de 28 de Junho de 2011
- o texto arquivado, recolhido do Arquivo da Web Portuguesa, de 8 de Fevereiro de 2008
A técnica é simples: seleccionam-se e copiam-se ambos os textos para o Text compare! – um serviço online que faz a comparação.
A técnica é explicada no artigo:
Como comparar textos parecidos… mas diferentes | Pato Donald
No caso do Estatuto Editorial do Expresso o resultado da comparação é, mesmo assim… inesperado. Os textos são iguais!
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Qual a causa da polémica?
Aparentemente, foi a publicação do Estatuto Editorial sem esclarecimentos adicionais, levando a pensar que teria sofrido alterações recentemente.
De facto, o texto polémico já existia no Estatuto Editorial do Expresso, pelo menos desde Fevereiro de 2008.
Esclarecimento:
Não foi spossível analisar a edição impressa de 25 de Junho de 2011 do Expresso, que originou a polémica online.
Por isso, a análise e conclusões neste artigo referem-se estritamente à informação disponibilizada online no site do Expresso entre Fevereiro de 2008 e Junho de 2011.
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Resultado Final
O Estatuto Editorial, disponível no site do Expresso em 28 de Junho de 2011 (após a edição impressa de 25 de Junho de 2011) é igual ao Estatuto Editorial que estava publicado na mesma página web em 8 de Fevereiro de 2008.
Ver o Estatuto Editorial actual (site do Expresso)
Ver o Estatuto Editorial em 08.02.2008 (Arquivo da Web Portuguesa, FCCN)
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Ver Também…
Como comparar textos parecidos… mas diferentes | Pato Donald



Legal o texto… Tenho um blog que entre diversos assuntos trata do arquivamento da web e lá chego a comentar sobre outros serviços como o WAX da Universidade de Harward, o UK Web Archive, o Library Of Congress Web Archive… se quiser dê uma passada… http://www.bibliotecno.com.br
Estes serviços na minha visão são de muita importância. Deve-se haver a preservação digital de websites, automática e rotineira, pois além de ser uma mídia efémera, a web é um local onde pode-se mudar de opinião alterando um posicionamento inicial. O Arquivo permite verificar estas mudanças….
Obrigado, Alex, pelas sugestões adicionais de arquivos online 🙂
De facto, a preservação de conteúdos online é crítica em termos históricos, sociológicos e de herança cultural.
Os desafios são gigantescos:
– a Humanidade está a criar informação a um ritmo mais rápido do que consegue ser arquivado
– não se consegue sequer arquivar toda a informação já existente
– os critérios sobre o que se deve arquivar são, naturalmente, controversos (quem define esses critérios? ou arquiva-se tudo?)
– todos os dias desaparece informação da internet: sites, blogs, wikis,…
Se à preservação da informação online acrescentarmos a preservação dos media “offline,” temos também grandes obstáculos:
– degradação física dos “media digitais”: disquetes, CD-I, miniDISC, CD-ROMs, DVDs, …
– ficheiros de dados em formatos abandonados (só acessíveis através de conversores)
– software feito para hardware e sistemas operativos desaparecidos (só acessível através de emuladores)
O panorama é (tecnicamente) complexo e o financiamento (e interesse político) reduzido…
De tal forma que há arquivistas e bibliotecários que já falam numa “Idade das Trevas” digital, por causa da actual incapacidade de preservar o património cultural da Humanidade…
O tema é apaixonante, as perguntas abundam e as respostas escasseiam 😉
Esta função é realmente útil para nós editores, que queremos ver os históricos de modificações dos artigos. Obrigado!